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UNA-SUS/UFPI e NUEPES realizam webnário sobre Mortalidade Materna

O evento ocorreu na última quarta-feira e contou com a participação da Secretária Executiva da UNA-SUS, Fabiana Damásio, além de representantes das áreas assistenciais e de vigilância, secretários de saúde, diretores, estudantes e membros de comitês.

- Ascom SE/UNA-SUS



A Universidade Federal do Piauí, por meio da Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS) e Núcleo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Educação Permanente para o SUS (NUEPES), realizou nesta quarta-feira (27), o Webnário “Estratégias para Prevenção da Mortalidade Materna”, transmitido pelo canal do Youtube Ufpi TV via internet.

Mesa de abertura do evento

O evento teve como objetivo capacitar os novos gestores de saúde dos municípios do Piauí e discutir sobre as causas, fatores, consequências e estratégias e ações educativas e preventivas que contribuam para a redução dos indicadores e evitem os óbitos maternos.

Participam do webnário mais de 70 pessoas, entre profissionais da área da saúde, representantes das áreas assistenciais e de vigilância, secretários de saúde, diretores, estudantes, membros de comitês e demais interessados.

Durante a abertura do evento, a Professora Lis Cardoso Marinho Medeiros, Coordenadora Executiva da UNA-SUS/UFPI e anfintriã do webnário, apresentou a mesa de hora composta pelo Reitor da UFPI, Gildásio Guedes; Vice- Reitor, Viriato Campelo; Diretora da Fiocruz Brasília e secretária executiva da UNA-SUS/Brasília, Fabiana Damásio; Pró-Reitora de Ensino de Pós-Graduação, Regilda Moreira; Coordenador da Pós-Graduação Stricto Sensu, Francisco de Assis Nascimento; Gerente de informação da BIREME,  Carmen Verônica Abdala; Coordenador geral da CIATEN,  Carlos Nery Costa; Coordenador Do Programa De Mestrado Da Saúde Da Mulher,  Luiz Ayrton; e das conferencistas Maria Auzeni de Moura Fé, Coordenadora de Saúde da Mulher do Estado do Piauí e  da pesquisadora da Faculdade de Medicina da UFMG e membro da Coordenação Materno Infantil (SES/MG), Dra. Regina Amélia Lopes de Aguiar.

De acordo com a Profa. Dra. Lis Marinho, o evento é um projeto aprovado pelo NUEPES em 2017, onde foi elaborada uma síntese de evidências para redução da mortalidade materna no Piauí.

Em seguida, os presentes assistiram uma homenagem à médica Regina Viola que faleceu por complicações da Covid-19 e contribuiu para redução da mortalidade materna, lutou contra o fim da violência contra a mulher e esteve presente na luta em defesa pelo SUS. Ana Carolina Viola, filha da Dra. Regina, também participou do evento e agradeceu pela homenagem à mãe.

O Reitor da UFPI, Gildásio Guedes deu boas vindas a todos que participaram do webnário, parabenizou o evento afirmando que “A universidade está conectada a todos e trabalha com intuito de servir a população, mas também, tem projetos exequíveis em consonância com os anseios da comunidade sendo uma das metas principais do seu reitorado”, disse.

O Vice-Reitor, Viriato Campelo, também pontuou que, “a universidade tem que estar presente e não pode ficar de fora dos debates mais importantes seja na área da saúde, economia, agronegócio, artes ou na cultura”, conta. 

A Diretora da Fiocruz Brasília e secretária executiva da UNA-SUS/Brasília, Fabiana Damásio, enfatizou em sua fala a importância do debate sobre a assistência às mulheres. “É um grande desafio para a saúde pública, demanda uma atuação viva e permanente de todos trabalhadores da saúde, também a gestão da saúde pública para que sigamos sempre desenvolvendo práticas que garantam a saúde e segurança das mulheres”.

Para a Gerente de informação da BIREME, Carmem Abdala, a proposta de discussões sobre a mortalidade materna começou com a síntese de evidências e estratégias para a prevenção de mortalidade materna no Piauí, aplicando uma metodologia bastante sistemática para identificar as melhores evidências e mostrar as opções de intervenção de saúde para a redução da mortalidade materna. “Todas as evidências foram identificadas, caracterizadas, selecionadas de acordo com a realidade e o contexto do Piauí”.

Mortalidade Materna no Piauí

A primeira mesa do evento foi sobre mortalidade materna no Piauí. O debate teve inicio com a Coordenadora de Saúde da Mulher do Estado do Piauí, Maria Auzeni de Moura Fé. Segundo a coordenadora, o óbito materno é a morte de uma mulher durante a gestação ou dentro de um período de 42 dias após o término da gestação, independentemente da duração ou da localização da gravidez. “É um problema grave de saúde pública, pela sua magnitude e por ser evitável”.

De acordo com Auzeni, as principais causas de óbito na gravidez, parto e puerpério são: eclampsia, hemorragias obstétricas, infecções puerperais, transtornos hipertensivos e complicações de aborto e no período da pandemia do covid-19, surgiram óbitos maternos provocados pela doença.  “Em 2020, tivemos seis óbitos por covid-19, entre 875 gestantes que tiveram a doença no Piauí e entre os 224 municípios, 134 tiveram gestantes com covid-19”, disse.

Mortalidade Materna – Estratégias para Prevenção

A conferência “Mortalidade Materna – Estratégias para Prevenção”, foi  conduzida pela pesquisadora da Faculdade de Medicina da UFMG e membro da Coordenação Materno Infantil (SES/MG), Dra. Regina Amélia Lopes de Aguiar. Para ela, os indicadores  são um convite à reflexão revelar diferenças sociais.

Segundo Regina, para pensarmos na prevenção da mortalidade materna, temos que observar alguns passos importantes: encarar a mortalidade materna como problema de saúde pública, que tinge desigualdade as regiões, com maior prevalência entre mulheres com menos acesso e ingresso aos bens sociais; encarar a mortalidade materna como uma violação dos direitos humanos de mulheres, olhar os indicadores da mortalidade materna, a fim de analisar a realidade socioeconômica de um país, estado ou município e da qualidade de vida de sua população  que nos sinaliza para a determinação política de uma nação, estado, município em realizar ações de saúde coletivas e socializadas.

“Os números da mortalidade materna continuam inversamente relacionados ao status da mulher na sociedade e ao seu poder de decisão, refletindo as profundas desigualdades sociais”, explica.

Além disso, a pesquisadora explica que é preciso ter segurança e clareza dos dados: quantas mulheres morreram, onde, porque, o que pode ser feito a fim de evitar futuras mortes semelhantes. “Só indicadores de mortalidade de qualidade vão fazer com que o planejamento dos programas e serviços de saúde seja adequados e eficientes”.

Durante o webnário, Auzeni Moura Fé e Regina Aguiar explicaram como é importante estudar essas estratégias, e é preciso que este setor tenha todos os níveis de atenção para existir maior qualidade de vida para a mulher. Além dos desafios e avanços que devem ser enfrentados.